Da série Pareço boazinha mas… [2] : Ódio: Olho de vidro e pele de plástico

Sim, que o reino das confissões seja aberto!

Meu defeito de hoje é: eu GOSTO de ser tudo o que uma pessoa não quer que eu seja…

Talvez vocês que não me conhecem não saibam o quanto eu pareço mais nova do que sou. Parecer mais nova pode ser uma benção quando você tem 50 anos e começa a se olhar no espelho e repercutir o que a televisão diz sobre envelhecer. Mas não quando você tem 24. Parecer nova é uma maldição.

Não importa se eu fiz um vestibular super difícil, se eu trabalho bem, se eu estudo como uma condenada, se existem apenas outras 203 pessoas no meu país que se formaram no que eu me formei. As pessoas sempre enxergam uma garotinha que não tem idade – ou “postura”, ou “maturidade”, ou “vivência” ou qualquer um dos substantivos que definam o quanto outras pessoas viveram mais do que eu teria vivido – quando olham para mim. Elas olham uma boneca. Elas ESPERAM uma boneca: Olhos de vidro que tem de refletir o que sentem; corpo de plástico que se molda às suas opiniões.

MALDIÇÃO.

Não entendo porque as pessoas tem a ideia torta de que o respeito ou a competência ou mesmo a força de vontade tem a haver com a idade. Não, não é apenas isso. Não é a idade, mas a aparência. As pessoas traçam um perfeito panorama de como outra pessoa é apenas pela forma como ela “se parece”.

Aí está minha confissão: Eu me alimento do engano delas. Eu ADORO – numa vaidade ridícula – quebrar as suas expectativas e sorvo, faminta, cada gota do desprezo que jogam em cima de mim, para quando eu provar o meu valor – trabalhando o dobro, fazendo mais, vencendo cada barreira – poder sorrir orgulhosamente, fazendo com que elas me ENXERGUEM. Sim, eu não quero que me vejam, eu busco que me enxerguem.

Eu arranco a cabeça de bonecas, meus amigos. Eu as destruo, as transformo e as faço gordas, com um sorriso fácil sim, mas uma boca suja de palavrões indomáveis e uma raiva que derruba florestas. E uma vaidade, aaah…, uma vaidade digna de uma plebeia que se veste de princesa em todo carnaval. Eu as tiro de suas casas rosas com telhados falsos e as deixo falar alto nos seus barracos escandalosos.

 

Eu sou gente, e ADORO isso.

 

 

Da Série: Pareço boazinha, mas… : [1] Preguiça: CADÊ meu sofá?

Bom, como não sei exatamente o que escrever na minha apresentação do blog (isso que dá criar um blog com nada em mente…), então resolvi fazer um jogo que me ajude a me apresentar melhor. Maaaas, diferentemente das pessoas normais, que sempre mostram o que tem de melhor, meu objetivo é que vocês possam conhecer o pior de mim primeiro. Sim! Se alguém algum dia chegar a esse blog e decidir ficar, é porque pode aceitá-lo até com os erros da pessoa que o escreve. Não espere perfeição da Menina. Tudo aqui, assim como a entropia, sempre andará na direção do caos. Isso é muito mais libertador do que ficar mendigando meios termo de vocês. Afinal, qual é o sentido de você vir e se expor desse jeito se não for por inteiro?

Assim, aqui vai! E detalhe: farei disso uma tag: Pareço boazinha, mas… A próxima(o) indicada(o) – no feminino, porque só tenho uma pessoa para indicar! hahahahah – terá que marcar a pessoa que a indicou, e publicar cinco posts, cada um revelando um lado não tão bonzinho seu. No final, terá de indicar mais uma pessoa e assim vai. Tomara que ande para frente. Vamos lá, meu povo, quero todo mundo de cara limpa, nada de maquiagem na alma de vocês.

Bem, minha primeira confição é:

Tem gente que tem preguiça do frio, do trabalho, do exercício físico, do exercício mental, ou mesmo tem preguiça de tudo isso junto (eu, fato), mas a coisa que  tem a capacidade de me dar mais preguiça entre todas no Universo são as PESSOAS.

Tenho uma preguiça infinita de gente que debocha e faz panelinhas; do tipo humano que adora expor as piadas internas do seu grupo, quase secreto e ao mesmo tempo tão escrachado, que parece evidente a necessidade de sobressaí-lo; da pessoa que fica fazendo julgamento e criando barreiras entre outros grupos; que cria rótulos desnecessário e saem por aí colando etiquetas até no que você não disse, porque tem plena certeza da intenção alheia em absolutamente tudo o que o alheio faz. Ou então que destilam ironia maldosa em qualquer coisa que é dita a elas, com aquele risinho debochado no final; o mesmo tipo de gente que tenta disfarçar sua crítica desnecessária de comentário contrutivo; tenho preguiça de pessoas que te engessam num desenho dentro da cabeça delas e ficam chocadas quando vocẽ não funciona do jeito que elas preveem (“fulaninha tem cara de santa, mas…”. “Viu como ciclana é sonsa? Ela finge que não é com ela mas…” Aff)… E os risinhos?! Já falei dos risinhos???!

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Isso é tão, mas tão…. SACO. Bem, preguiça define. Tem gente que fica irritada, tem vontade de responder e armar barraco. Eu só fico rezando para me controlar e não revirar os olhos e sair de perto. Como uma barraqueira de plantão, talvez isso denuncie uma falta de motivação que é indigna. Mas, gente, dá MUITA preguiça.

Vamos entender uma coisa de vez: a vida é feita para ser compartilhada. Com gente que você gosta ou não. Com gente que você concorda ou não. E ponto. Perder um precioso minuto que você jamais terá de volta para fazer piadinha de alguém não faz esse alguém parar de te incomodar, não torna a sua vida melhor, não vai resolver porcaria nenhuma e ainda te toma um tempo em que você podia, sei lá, estar prestando atenção em como o sorriso de outra pessoa é lindo e como seu cabelo estava legal naquele dia e, principalmente, não é educado. Só faz você parecer babaca e me dar preguiça.

Bueno, haters gonna hate. =p

Minha indicada, é claro, é a maravilhosa Liz de Ângelo do https://oficinadaliz.wordpress.com/

Abraços,

Cassis.

Sobre o Brasil e a ESO

Muita gente anda me perguntando porquê eu não participei da campanha para a verba prometida para que o Brasil entrasse de fato na ESO , bem aqui vai:

Primeiramente, eu fiquei chateada porque o Brasil não conseguiu a verba. Eu, Carolina, astrônoma recém formada, achei um saco. Não conseguiu, ok, que chato. E fim.

Aí me mostraram o discurso do deputado, ouvi 17353874946 reclamações diferentes, xingamentos ao nosso sistema político e à mãe da criatura. Gritos de reclamações da “hipocrisia” que existe, da falta de apoio à ciência e etc.

Mas, senhores(as). Eu posso não gostar, mas eu não discordo do que ele disse. Quero que me respondam, da onde vem o dinheiro que seria investido. No cru? Não é do bolso da comunidade científica (apenas). É da população. É do imposto. Agora, quero que me digam, sinceramente, qual a contrapartida que nossa comunidade científica dá, especialmente no ensino de ciências – que é a rasteira da bosta no nosso país – para essa população que iria investir essa quantidade ABSURDA de dinheiro? Na real? Eu mesma perguntei ao atual presidente da SAB na última reunião da ABP exatamente isso e a resposta, depois de alguns segundos de silêncio, foi “nenhuma.”

Não entrar na ESO me chateia, mas sabe o que me deixa indignada? É eu ter de explicar pelo menos seis vezes ao dia para seis PROFESSORES diferentes que as estações do ano não são causadas por periélio e afélio. É eu ter de montar uma oficina iterativa sobre as fases da lua não para os alunos do ensino fundamental mas sim para seus PROFESSORES, que não apenas não entedem o porquê delas ocorrerem como NUNCA tiveram uma aula sequer de astronomia durante a sua formação. É eu ir a um congresso de licenciatura em física e ter de assistir ao palestrante dizer que estrelas cadentes são asteroides e ainda ver que 90% de todos os trabalhos na parte de educação não formal serem de astronomia, apesar de eu ser a ÚNICA astrônoma a apresentar um trabalho nessa área. É eu ter escutado de 71243749 bocas diferentes, ou mesmo no silêncio dos olhares reprovadores, o quanto eu perdia tempo com extensão durante a minha graduação. É eu nunca ter lido um único e-mail institucional sequer parabenizando a equipe de extensão do Observatório do Valongo pelos nossos prêmios e Monções Honrosas em Extensão Universitária, mesmo que isso significasse que tínhamos sido considerado os melhores de TODA a universidade, já que extensão é não é avaliada por área temática.

Àqueles que aderiram à campanha, me desculpem, mas fora da universidade, eu pouco vejo iniciativas da nossa comunidade que justifiquem o lema ‪#‎AstronomiaEduca‬; eu pouco vejo atividades fora dos muros convenientes do Valongo ou do ON ou do CBPF que levem a Astronomia onde realmente ela não chega, de forma a justificar o ‪#‎AstronomiaInspira‬; sendo assim, é chato, mas antes de eu ir pra frente do espelho carregar um ‪#‎ESOValeapena‬ eu quero ter a certeza de que estamos fazendo alguma coisa para pagar os 800 milhões de reais investidos, porque, na boa, eu não quero ter de continuar explicando pelos próximos 50 anos do meu serviço público que existem apenas 8 planetas no nosso sistema (a informação de que Plutão entrou em outra categoria não parece ter alcançado as escolas da Baixada Fluminense ainda) e que a Lua não é uma estrela (Aliás, me ajudem a disseminar que o SOL é uma estrela, porque parece haver um consenso geral de que existe o sol, que é alguma coisa estranha, E as estrelas). Vejam bem, nem estou pedindo para vocês me ajudarem a ensinar astronomia de fato, fora do observacional, se eu conseguir esse pouco, já vai me ajudar bastante.

Antes, ou pelo menos ao mesmo tempo de, lutarem pela inovação tecnológica, não se esqueçam que se não lutarem para isso ser acompanhado pela educação, a ciência que tanto queremos incentivar vai continuar uma panelinha eterna, onde a população (nosso INVESTIDOR) nunca vai participar. Então, chateada, talvez. Indignada? NUNCA.

Dias de sol e o mel de abelhas

Sexta foi um dia engraçado. Não engraçado por ser sexta-feira ou por eu estar caminhando num parque lindo num estado diferente do meu, ou mesmo por estar andando sozinha no meio do verde – o que por si só já torna o dia estranho: SOZINHA e no meio do mato… huummm

Não. Sexta foi um dia engraçado porque eu quase morri.

 

Dizem que quando você vai morrer, você sente que vai morrer. Dizem que sua vida passa na frente dos seus olhos e tudo meio que fica em câmera lenta, que você começa a pensar em tudo que podia ter feito e não fez… Talvez esse fosse o sinal de que não era a minha hora, porque nada passou em câmera lenta. Mas eu sonhei – ou delirei, sei lá.

Eu lembro da dor. Uma dor que parecia fogo no meu peito e de não conseguir abrir os olhos e de chorar de olhos fechados. Eu lembro do ar parar de entrar no meu nariz, que doia como nada que eu tivesse experimentado antes. Eu lembro de uma boa mulher, dsconhecida, chegar e tentar tirar o ferrão dele e de um homem vir correndo, atendendo aos berros dela. E então…

Eu lembro de estar sentada no banco de trás de um fusca, deitada no colo de uma Gabriela minúscula em seus três aninhos, me dando o seu dinossauro amarelo que eu tanto gostava e dizendo “se você melorá eu te dou tes bejo”. Eu vi ela pegar minha mão gordinha e passar a mão dela no meu cabelo. Eu vi um sol de queimar a cabeça na janela do fusca e pensei que ia melhorar logo, para eu ganhar ‘tes bejo’. Eu lembrei de minha mãe cantando no banco da frente, abrindo a janela para a brisa entrar.

 

E eu acordei. Minha vida não passou em filme, mas o que realmente importa voltou. Desculpem, eu não me arrependi de todos os dias que deixei de namorar ou sair para estudar, eu não achei que minha vida foi desperdiçada, eu não achei que eu devia ter falado menos palavrão. Eu só queria sentir de novo aquela sensação de “se você melorá eu te dou tes bejo” com a brisa entrando pela janela e levando o mal estar embora. Desculpa, mundo, mas o veneno da abelha me mostrou que eu não pensei em ser rica, em ter um amor, em ter o melhor trabalho do mundo. Pra minha vida, eu só preciso de cantiga de mãe e ‘tes bejo ‘ pra melhorar.

 

 

Obrigada, meu Deus!